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domingo, 30 de agosto de 2015

Interfaces::criação, uso e atualização no Java 8

O termo interface na programação orientada a objetos é usualmente associado ao conjunto dos elementos visíveis nos objetos de uma classe, ou seja, denomina os atributos e operações expostas para outras classes e objetos. Assim, os métodos e campos públicos de um objeto podem ser entendidos como sua interface.

Ao mesmo tempo, linguagens de programação como o Java (e outras) possuem uma construção denominada interface que permite definir um grupo de métodos públicos relacionados, mas sem implementação (abstratos portanto).

Criação

Uma interface é como esta que segue:

/* Arquivo: Reversible.java
 */
package jandl.j8i;
public interface Reversible {
    char SEPARATOR =',';
    Object getElement(int p);
    boolean isReversed();
    int length();
    Reversible reverse();
    String toString();
}

A declaração de uma interface em Java utiliza a palavra reservada interface. No corpo do exemplo da interface Reversible observamos a presença de alguns métodos:
  • getElement(int) que retorna o elemento da posição indicada deste objeto;
  • isReversed() que retorna true se o elemento está invertido em relação a sua definição original;
  • length() que retorna o número de elementos presentes neste objeto;
  • reverse() que efetua a inversão da sequência de elementos contida pelo objeto; e
  • toString() que retorna uma String com a representação do conteúdo do objeto.
Todos estes métodos são implicitamente public e abstract. Embora seja redundante indicá-los, outros especificadores e  modificadores não podem ser usados.

Também é possível que uma interface contenha campos, como SEPARATOR,  mas que serão considerados constantes, ou seja, são implicitamente static e final, sendo igualmente redundante seu emprego.

Uso

Quando desejado, uma classe pode adotar uma interface existente, isto é, pode incluir a codificação dos métodos por ela definidos. Neste caso, dizemos que a classe realiza (ou implementa) a interface. Por exemplo:

/* Arquivo: ReversibleString.java
 */
package jandl.j8i;

public class ReversibleString implements Reversible {
    private StringBuilder content;
    private boolean inverted;

    public ReversibleString(String content) {
        if (content == null)
            throw new IllegalArgumentException("content==null");
        this.content = new StringBuilder(content);
        inverted = false;
    }

    @Override
    public Object getElement(int p) {
        return content.charAt(p);
    }

    public String getText() {
        return content.toString();
    }

    @Override
    public boolean isReversed() {
        return inverted;
    }

    @Override
    public int length() {
        return content.length();
    }

    @Override
    public Reversible reverse() {
        content.reverse();
        inverted = !inverted;
        return this;
    }

    @Override
    public String toString() {
        StringBuilder sb = new StringBuilder();
        for(int p=0; p<content.length(); p++) {
            sb.append(content.charAt(p));
            if (p<content.length()-1) sb.append(SEPARATOR);
        }
        return sb.toString();
    }
}

A classe ReversibleString representa uma cadeia de caracteres (uma string) que pode invertida, ou seja, representada de trás-para-frente e, assim, implementa a interface Reversible, ou seja, oferece todos métodos especificados na declaração da interface que são getElement(int), isReversed() e length(), reverse() e toString().

Um objeto do tipo StringBuilder é usado como representação interna da string reversível por duas razões: uma porque permite que seu conteúdo seja alterado (diferentemente de String cujos objetos são imutáveis); outra porque oferece a operação de inversão de conteúdo por meio de seu método reverse().

Também é importante destacar que enquanto uma classe pode extender apenas uma outra classe (pois o Java só oferece o mecanismo de herança simples entre classes), é possível que uma classe realize tantas interfaces quanto desejado.

Assim, podemos dizer que o Java oferece a herança simples para implementação, mas dispõem da herança múltipla para interfaces. No caso, a classe ReversibleString é, implicitamente, uma subclasse de java.lang.Object.

Várias classes diferentes podem implementar uma mesma interface, como a classe IntArray.

/* Arquivo: IntArray.java
 */
package jandl.j8i;

public class IntArray implements Reversible {
    private int[] value;
    private boolean inverted;

    public IntArray(int tam) {
        value = new int[tam];
        inverted = false;
    }

    public IntArray(int... valor) {
        this.value = new int[valor.length];
        for (int i = 0; i < valor.length; i++) {
            this.value[i] = valor[i];
        }
        inverted = false;
    }

    @Override
    public Object getElement(int p) {
        return value[p];
    }

    @Override
    public boolean isReversed() {
        return inverted;
    }

    @Override
    public int length() {
        return value.length;
    }

    @Override
    public Reversible reverse() {
        for (int i = value.length / 2 - 1; i >= 0; i--) {
            int aux = value[i];
            value[i] = value[value.length - 1 - i];
            value[value.length - 1 - i] = aux;
        }
        inverted = !inverted;
        return this;
    }

    public void setValor(int p, int v) {
        value[p] = v;
    }

    @Override
    public String toString() {
        StringBuilder sb = new StringBuilder();
        for(int p=0; p<value.length; p++) {
            sb.append(getElement(p));
            if (p<value.length-1) sb.append(SEPARATOR);
        }
        return sb.toString();
    }
}

A classe IntArray representa um arranjo reversível de valores inteiros que também realiza a interface Reversible, pois implementa as operações nela especificadas.

Outro aspecto importante, classes diferentes que realizam uma mesma interface passam a ter um conjunto de operações comuns. Assim, seus objetos podem ser tratados como sendo do tipo indicado pela interface em questão. Esta é uma conveniente manifestação do polimorfismo.

Assim, objetos do tipo ReversibleString ou IntArray, apesar de possuírem implementações razoavelmente distintas, podem ser manipulados como objetos do tipo Reversible, que limita seu uso aos métodos disponíveis nesta interface, como feito no exemplo que segue.

/* Arquivo: Teste.java
 */
import jandl.j8i.IntArray;
import jandl.j8i.Reversible;
import jandl.j8i.ReversibleString;

public class Teste {
    public static void main(String[] args) {
        ReversibleString rs = 
                new ReversibleString("Peter Jandl Junior");
        testaReversao(rs);
        IntArray arranjo = new IntArray(20, 15, 8, 30);
        testaReversao(arranjo);
        arranjo.reverse();
    }

    public static void testaReversao(Reversible r) {
        for(int i=0; i<2; i++) {
            System.out.println(r + ":" + r.isReversed());
            r.reverse();
        }
        System.out.println(r + ":" + r.isReversed());
    }
}

O método estático testaReversao(Reversible) toma um argumento do tipo Reversible, exibindo no console uma representação do objeto e seu estado de inversão, além de efetuar a inversão de seu conteúdo. Estas operações são repetidas duas vezes, o que permite retornar o objeto ao estado inicial, que é reexibido ao final.

No código do método main(String[]) são instanciados objetos do tipo ReversibleString e IntArray, os quais podem ser utilizados indistintamente pelo método testaReversao(Reversible).

O exemplo Teste produz o seguinte resultado:

P,e,t,e,r, ,J,a,n,d,l, ,J,u,n,i,o,r:false
r,o,i,n,u,J, ,l,d,n,a,J, ,r,e,t,e,P:true
P,e,t,e,r, ,J,a,n,d,l, ,J,u,n,i,o,r:false
20,15,8,30:false
30,8,15,20:true
20,15,8,30:false

Atualização

Existem circunstâncias onde uma interface deveria ser modificada para acompanhar a evolução do projeto onde se insere. Uma possibilidade para isso é a definição de subinterfaces. Tal como para classes, a herança permite que interfaces existentes sejam estendidas em subclasses, possibilitando o reuso das definições e também a adição de novas operações.

Assim, a interface Reversible poderia ser tomada como base para criação da nova interface Reversible2.

/* Arquivo: Reversible2.java
 */
package jandl.j8i;

public interface Reversible2 extends Reversible {
    String toStringUnreversed(Reversible r);
}

A nova interface Reversible2 adiciona o método toStringUnreversed() às definições existentes em Reversible. Assim, quaisquer novas classes poderiam optar pela implementação de Reversible ou Reversible2, como exemplificado anteriormente.

Esta alternativa, de criação de uma nova interface, é simples e adequada em muitas situações, mas não permite resolver os casos onde uma nova operação deveria ser adicionada a uma interface existente. Até o Java 7 não existia solução para isso, pois a adição de novas operações em uma interface existente criaria um problema muito inconveniente: todas as classes que realizassem a interface modificada deveriam ser modificadas para incluir a codificação da nova operação, caso contrário se tornariam abstratas propagando o problema.

Com o Java 8 tornou-se possível a atualização de interfaces que, mesmo modificadas, são compatíveis com suas versões anteriores, simplificando muito o trabalho de manutenção do código. Para isto foram introduzidos os métodos default e estáticos às interfaces.

Métodos Default

A partir do Java 8, uma interface pode conter uma ou mais implementações de métodos, ou seja, podem incluir o código necessário para realizar uma operação, eliminando a necessidade da programação destes métodos nas classes que realizam esta interface. Para que isso seja possível, estes métodos devem declarados como default, como feito na nova versão da interface Reversible.

/* Arquivo: Reversible.java
 * Interface modificada com adição de método default. 
 */
package jandl.j8i;
public interface Reversible {
    char SEPARATOR =',';
    Object getElement(int p);
    boolean isReversed();
    int length();
    Reversible reverse();
    String toString();

// Método default (dotado de implementação)
    default String toStringUnreversed() {
        if (isReversed()) {
            StringBuilder sb = new StringBuilder();
            for(int p=length()-1; p>=0; p--) {
                sb.append(getElement(p));
                if (p>0) sb.append(SEPARATOR);
            }
            return sb.toString();
        } else {
            return toString();
        }
    }
}

O método toStringUnreversed() permite obter a representação textual do objeto em sua situação natural, isto é, conforme criado, quando é considerado não invertido. Observe ainda que este método pode fazer uso dos métodos definidos na interface apesar de não terem sido implementados. Isto não é um problema, visto que o acionamento deste método só pode se dar por meio de uma instância, que para poder existir, tem que ser obtida de uma classe concreta, a qual necessariamente dispõe da implementação de todos os métodos definidos pela interface Reversible.

A adição do método default toStringUnreversed() na interface Reversible não implica em qualquer modificação nas classes ReversibleString e IntArray, as quais realizam a interface Reversible. Ao mesmo tempo, este método default pode ser utilizado por quaisquer objetos destas e de outras classes que realizem a interface Reversible.

Métodos estáticos

Enquanto os métodos comuns ou de instância são operações que podem ser executadas apenas por meio de instâncias, os métodos estáticos podem ser executados por meio de suas classes, sem necessidades de instâncias, além de serem compartilhados por todos os objetos dessa classe. A partir do Java 8, as interfaces também podem conter métodos estáticos.

Assim, todos os objetos das classes que realizam interfaces dotadas de métodos estáticos passam a compartilham desses métodos. Mas diferentemente dos métodos default, os métodos estáticos podem ser acessados diretamente por meio das interfaces que os contém, sem necessidade de instâncias de uma classe. Por outro lado, os métodos estáticos só podem utilizar elementos externos estáticos ou de instâncias criadas localmente.

A seguir temos uma nova modificação da interface Reversible, que recebe um método estático para obter a versão não invertida de um objeto Reversible qualquer. Como o novo método estático toStringUnreversed(Reversible) tornou-se parecido com a implementação do método default toStringUnreversed(), este último foi modificado para utilizar-se do primeiro (pois o método estático não poderia utilizar-se da implementação do método default).

/* Arquivo: Reversible.java
 * Interface modificada com adição de métodos default e estáticos. 
 */
package jandl.j8i;
public interface Reversible {
    char SEPARATOR =',';
    Object getElement(int p);
    boolean isReversed();
    int length();
    Reversible reverse();
    String toString();

// Método estático (dotado de implementação)
    static String toStringUnreversed(Reversible r) {
        if (r.isReversed()) {
            StringBuilder sb = new StringBuilder();
            for(int p=r.length()-1; p>=0; p--) {
                sb.append(r.getElement(p));
                if (p>0) sb.append(SEPARATOR);
            }
            return sb.toString();
        } else {
            return r.toString();
        }
    }
// Método default (dotado de implementação)
    default String toStringUnreversed() {
        if (isReversed()) {
            return toStringUnreversed(this);
        } else {
            return toString();
        }
    }
}

O exemplo Teste2 que segue mostra o uso de métodos default e estáticos.

/* Arquivo: Teste2.java
 */
import jandl.j8i.IntArray;
import jandl.j8i.Reversible;
import jandl.j8i.ReversibleString;

public class Teste2 {
    public static void main(String[] args) {
        ReversibleString rs = 
                new ReversibleString("Java 8 Interfaces");
        teste(rs);
        IntArray ia = new IntArray(31, 35, 64, 68, 95);
        teste(ia);
    }

    public static void teste(Reversible r) {
        r.reverse();
        System.out.println(r);
        System.out.println(r.toStringUnreversed());
        System.out.println(Reversible.toStringUnreversed(r));
        System.out.println(r);
    }
}

A execução deste exemplo produz:

s,e,c,a,f,r,e,t,n,I, ,8, ,a,v,a,J
J,a,v,a, ,8, ,I,n,t,e,r,f,a,c,e,s
J,a,v,a, ,8, ,I,n,t,e,r,f,a,c,e,s
s,e,c,a,f,r,e,t,n,I, ,8, ,a,v,a,J
95,68,64,35,31
31,35,64,68,95
31,35,64,68,95
95,68,64,35,31

Considerações finais

Os métodos default permitem que as interfaces possam evoluir sem a necessidade de modificar e recompilar as classes que as realizam. Tal como para os métodos default, o uso de métodos estáticos nas interfaces também permite sua evolução, sem a necessidade de alteração das classes que delas dependem. Nos dois casos, a evolução de interfaces com métodos default e estáticos garante compatibilidade binária com suas versões antigas.

Finalmente, devemos considerar que os uso dos métodos default acabam por constituir uma espécie de herança múltipla, pois uma classe pode realizar várias interfaces e compartilhar os métodos default ali definidos. No entanto, devemos destacar que essa herança múltipla é estritamente funcional, pois é suprida por métodos. Não existe qualquer herança relacionada ao estado, cuja informação é armazenada em campos.

Referências

Este artigo faz parte de uma pequena série:

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Computação em Grade & Voluntarismo

Não é bacana quando a tecnologia contribui de maneira inovadora para sociedade? Não é ainda melhor quando isto não apenas promove o desenvolvimento científico e tecnológico, mas também permite auxiliar, mesmo que indiretamente, comunidades carentes? Esta é a proposta do World Community Grid, uma iniciativa da IBM cuja proposta é explorar a capacidade computacional ociosa existente no mundo para benefício da humanidade.



Os microcomputadores fazem parte de nosso cotidiano, sendo comum encontrá-los em toda parte: estabelecimentos comerciais, bancos, empresas, repartições públicas e, também, com as pessoas, na forma de notebooks, tablets e desktops. São mais de um bilhão de microcomputadores.

O potencial deste enorme contigente de equipamentos, quando somado, representa a maior parte do poder computacional disponível no mundo. Isto sem contar com os muitos milhões de smartphones, smart TVs, consoles de jogos e outros dispositivos capazes de realizar o processamento de dados. Nos próximos anos espera-se que este segmento possua capacidades bastante superiores de todos os supercomputadores e datacenters existentes.

Esta é uma mudança crítica, pois é natural que todo sistema computacional disponha de alguma capacidade ociosa. Isto é ainda mais significativo nos computadores pessoais, que raramente utilizam mais do que 50% de seu processamento de maneira contínua. Assim, atividades de pesquisa que requerem capacidades de processamento vultuosas poderiam ser beneficiadas pelo uso destes recursos ociosos.

Problemas que requerem quantidades fabulosas de processamento são, por exemplo, simulações climáticas para entender o aquecimento global; testes de novos algoritmos de criptografia para segurança das pessoas e aplicações; pesquisas para novos materiais para filtragem de água ou captação de energia solar; sem considerar as inúmeras necessidades na área da saúde e agricultura, que envolvem simulação de novos produtos químicos e protocolos diferenciados.

É aqui que o BOINC entra em cena.

BOINC

O Berkeley Open Infrastruture for Network Computing é uma sofisticada plataforma pública de computação em grade desenvolvida pela Universidade da Califórnia, mais conhecida como Berkeley University.




O termo computação em grade ou grid computing se refere a uma organização particular de computadores conectados por uma rede onde cada equipamento pode ser acessado individualmente. Cada computador da grade pode, simultanea e paralelamente, executar um programa, assim, quanto maior o número de computadores conectados, maior a capacidade conjunta de processamento. Isto caracteriza um modelo de arquitetura de um computador virtual na qual a infraestrutura comum de rede permite reunir os recursos de muitos computadores separados, proporcionando um desempenho extraordinário, comparável ou superior ao de supercomputadores.

O BOINC é uma solução tecnológica que oferece uma base sólida para construção de um enorme ambiente de processamento distribuído que exibe características únicas. Por meio do BOINC é relativamente simples converter uma aplicação de alta demanda computacional existente em um projeto de computação pública.

Cada projeto pode ser distribuído em servidores e banco de dados próprios, tornando-o autônomo e independentes de outros projetos. Os servidores de um projeto dividem o trabalho computacional necessários em unidades de trabalho relativamente pequenas, isto é, que podem ser completamente processadas em equipamentos comuns (microcomputadores domésticos e notebooks por exemplos) em poucas horas.

Com o uso de um programa cliente do BOINC, os proprietários destes equipamentos comuns podem se registrar em um ou mais projetos para compartilhar seus recursos ociosos com a infraestrutura do BOINC. Assim, o programa cliente do BOINC efetua o download de unidades de trabalho, executando-as localmente e enviando, assim que possível, os resultados obtidos para os servidores do projeto.

Deve-se destacar que o cliente BOINC utiliza os recursos ociosos do computador, ou seja, somente efetua o processamento das unidades de trabalho quando não existem programas e serviços do usuário em uso, tornando quase imperceptível sua presença no sistema. Nem mesmo o consumo de energia sofre alteração substancial, visto que a atuação do BOINC usa os períodos em que o computador permanece ligado, mas com baixa demanda de processamento (por exemplo, a requerida durante o preparo de texto, a leitura de documentos e outras atividades de baixa complexidade computacional).

Além disso, o cliente BOINC pode ser livremente configurado para utilização dos recursos do computador onde, a critério exclusivo de seu proprietário, determinam-se o número de processadores ou núcleos usados; o nível de ociosado empregado; o espaço ocupado em memória e disco; e a frequência de uso da rede. É possível, inclusive, determinar percentuais de dedicação para projetos distintos.

Outro aspecto interessante do BOINC é que os tempo de processamento doado, calculado com base em cada processador utilizado, e os resultados obtidos são pontuados, possibilitando criar um ranking de usuários registrados nos projetos. Os usuários também podem formar times, possibilitando diferentes formas de competição saudável.

Hoje o BOINC é utilizado por diferentes projetos de computação pública ao redor do mundo. Dois dos mais significativos são SETI@home e World Community Grid.

O projeto SETI@home (Search for Extra-Terrestrial Intelligence at home), lançado em 1999, tem como objetivo identificar sinais de rádio emitidos por possíveis civilizações inteligentes fora da terra. O projeto SETI@home conta mais de um milhão de participantes ao redor do mundo, cujo processamento associado é superior a 60 TeraFLOPS (trilhões de operações em ponto flutuante por segundo).

Se o SETI@home pode parecer algo diferente ou até excêntrico, o World Community Grid é bastante diferente disso.

World Community Grid

O World Community Grid (WCG), lançado em 2004 pela IBM, tem como propósito explorar as capacidades não utilizadas de microcomputadores de indivíduos e organizações direcionando seu uso para projetos de natureza científica, educacional ou filantrópica.


Numa infraestrutura mantida pela IBM residem os servidores BOINC que administram diversos subprojetos independentes. Um equipe de profissionais da IBM auxilia a transformação de projetos computacionais selecionados em aplicações distribuídas para o BOINC, permitindo que possam ser executadas por qualquer cliente BOINC conectado na internet. A seleção destes projetos respeita uma série de critérios relacionados à sua criticidade, impacto social e real necessidade de processamento extremo.

Para processar o projetos selecionados, quanto mais clientes registrados melhor, pois mais rapidamente os resultados serão obtidos e disponibilizados para as equipes de cientistas e pesquisadores de cada projeto. Até o presente, o WCG suportou mais de 24 grandes projetos de pesquisa, incluindo a pesquisa por alternativas mais efetivas para o tratamento do câncer, do HIV/AIDS e de uma série de doenças tropicais.

World Community Grid


São mais de 650.000 indivíduos e 460 organizações que contribuem com a maior iniciativa computacional voluntária devotada a ciência humanitária.

Assim, ao se registrar no WCG, os proprietários dos computadores tornam-se voluntários que doam processamento para projetos que objetivam o combate a doenças como malária, câncer infantil, leishmaniose, distrofia muscular, ebola; além de pesquisas para o desenvolvimento de fontes de energia sustentáveis; cultivo otimizado de cereais; entre outros.

Considerando que o impacto individual em termos consumo de energia, consumo de banda de rede e desgaste do computador são mínimos, percebe-se que contribuir com os projetos do WCG é muito simples. Mas os resultados da contribuição dos milhares de voluntários do WCG são muitíssimo significativos, pois quase sempre, demandariam um período inviável de tempo para serem obtido com recursos próprios de cada instituição!

É, de fato, sensacional!

Eu contribuo, e você, não gostaria de participar?


Como participar

Para participar é muito fácil também.

(1) Registre-se no WCG utilizando o link abaixo!


(2) Faça o download de uma versão do BOINC. Sugestão, use a versão portable, cujo link segue.


(3) Após instalar, basta selecionar o projeto World Community Grid e indicar seu usuário e senha de registro!

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Virtualização

No dicionário, o adjetivo virtual é explicado como "o que não existe como realidade, mas sim como potência ou faculdade" e também como "o que equivale a outro, podendo fazer às vezes deste, em virtude ou atividade".

Na área de Tecnologia de Informação o termo é frequentemente utilizado no sentido de indicar dispositivos de hardware, programas de computador ou uma combinação destes que substituem outros dispositivos ou programas, de maneira a obter-se seu funcionamento equivalente. Assim, virtualizar é o ato de criação de uma versão virtual de algo, como uma plataforma de hardware, um servidor, um sistema operacional, um dispositivo de armazenamento ou uma rede de computador.

Os softwares ou frameworks de virtualização podem, entre outras capacidades, atuar de duas maneiras distintas:
  • Dividir um recurso para prover seu uso em múltiplos ambientes de execução;
  • Consolidar múltiplos recursos de maneira que sejam tratados como algo único.
Cada um destes modos tem aplicações bastante convenientes e específicas.

Por exemplo, o simples particionamento de uma unidade de disco rígido pode ser considerado como uma operação de virtualização porque a unidade particionada dá origem a duas ou mais unidades lógicas (isto é, que não são físicas). Mas, em algum sistemas, também é possível fazer o oposto, ou seja, configurar duas ou mais unidades físicas para que operem como uma unidade lógica dotada de maior capacidade. Então divisão e consolidação são estratégias que se aplicam a um grande número de situações.

Muitos ambientes de desenvolvimento voltados para a construção de aplicativos móveis incluem emuladores de modelos genéricos ou específicos para possibilitar o teste destes softwares em um ambiente semelhante onde serão utilizados, mas sem a necessidade do programador dispor de um dispositivo físico.

A configuração de uma Virtual Private Network (VPN) é também uma operação de virtualização, pois com o uso de uma infraestrutura pública de comunicação (a internet, por exemplo) é possível a construção de uma rede privativa, que oferece grande segurança para o tráfego de seus dados, que opera transparentemente na rede pública. O efeito de uma rede privada "dentro" da infraestrutura pública de comunicação é a virtualização de uma rede.

Um framework de virtualização pode também ofertar um ambiente composto de diversos dispositivos, simulando um sistema completo por meio de outro. Assim, dispositivos, aplicações e usuários são capazes de interagir com recursos virtuais, isto é, providos pela plataforma de virtualização, como se fossem recursos reais.

Hoje são relativamente comuns os frameworks de virtualização que empregam uma ou mais metodologias de divisão dos recursos de um computador em múltiplos ambientes de execução por meio da aplicação de conceitos e tecnologias de particionamento de hardware e software, compartilhamento de tempo (time-sharing), simulação de máquina parcial ou completa, emulação, qualidade de serviços (QoS) e muitas outras.

Origem

As técnicas de virtualização surgiram na década de 1960 para prover a operação mais eficiente de mainframes, pois devido a seu altíssimo custo, todos os recursos sistêmicos deveriam ser intensamente utilizados para tornar seu uso mais competitivo.

Inicialmente possibilitava a divisão lógica dos recursos físicos do mainframe em múltiplos sistemas lógicos, os quais podiam ser usados para aplicações distintas e com operação independente. Além de flexibilizar a utilização do sistema, um mesmo mainframe poderia até ser compartilhado por organizações distintas quando tecnologias de acesso remoto eram empregadas para conectar os terminais de usuário ao computador principal.

Um caso de sucesso foi o IBM VM (Virtual Machine), um dos primeiros softwares comerciais de virtualização de sucesso, voltado para operação de mainframes.

Na última década a virtualização tornou-se uma estratégia fundamental para organizar os datacenters (as novas versões dos antigos centros de processamento de dados). Um servidor tradicional trabalha com grande ociosidade na maior parte do tempo, pois é dimensionado para atender os horários de pico. Assim o consumo de energia é maior do que efetivamente necessário. Com a virtualização, um servidor de capacidades maiores pode hospedar vários servidores (máquinas) virtuais, o que é denominado consolidação de servidores, explorando melhor os recursos disponíveis, reduzindo a ociosidade e o consumo total de energia, além de requisitar menos espaço físico e esforço de manutenção. Tudo sem redução do desempenho fornecidos aos aplicativos dos servidores, de maneira imperceptível para os usuários destas aplicações.

Visão conceitual

Sua organização tipicamente envolve três camadas:

  • Camada de hardwareComposta dos dispositivos do hardware que, de fato, existem no sistema. Pode agregar um sistema operacional (SO).
  • Camada de virtualizaçãoSistema/programa de virtualização, que particiona e administra a camada de hardware para prover serviços de virtualização ou suporte para máquinas virtuais. É o Hypervisor ou Monitor das Máquinas Virtuais (Virtual Machine Monitor).
  • Camada de aplicaçãoPartições que constituem as máquinas virtuais específicas para operação de diversos SO e aplicações isoladas.

Aplicações da Virtualização

A virtualização tem inúmeras aplicações. Algumas das mais comuns são:
  • Virtualização de armazenamento, onde múltiplas unidades de armazenamento, locais e remotas, são operadas de maneira combinada e distribuídas dinamicamente como unidade virtuais reconfiguráveis.
  • Virtualização de servidores, na qual um servidor físico pode ser particionado em vários servidores virtuais de menor capacidade.
  • Virtualização de sistemas operacionais, que é um tipo de virtualização, ocorrida no kernel do SO, para prover múltiplas instâncias de um mesmo ou diferentes sistemas operacionais numa mesma máquina.
  • Virtualização de redes, onde torna-se possível o uso seletivos dos recursos de uma rede física por meio de sua segmentação lógica, por exemplo, numa VPN.
  • Virtualização de aplicativos, na qual a operação de sistemas de software ocorre em sistemas virtualizados e cujo acesso se dá por meio de redes, como na computação em nuvem (cloud computing).

Vantagens e Desvantagens

A virtualização é uma tecnologia que tem potencial para proporcionar um grande conjunto de vantagens.

Exemplos clássicos são a possibilidade de uso de múltiplos SOs simultaneamente num mesmo host; e a consolidação de servidores subutilizados num menor número de máquinas, proporcionando economia no hardware, no espaço físico, na operação, na gerência, nos custos e também permitindo a redução dos impactos ambientais.

O uso da virtualização permite a continuidade de aplicações legadas que requerem hardware antigo; pode prover ambientes seguros e isolados (sandboxes) para operar aplicações não confiáveis ou constituir ambientes de teste e depuração; permite configurar ambientes com limitações específicas de recursos, sendo conveniente para sistemas habilitados para QoS (Quality of Service). A recuperação de desastres é grandemente facilitada pela re-instalação de sistemas virtualizados, ao invés de re-instalação e reconfiguração tradicional de sistemas.

Outros aspectos positivos do emprego da virtualização são: a possibilidade de empacotar e distribuir instalações ou aplicações complexas; facilitam a migração de software; facilitar o balanceamento de carga de trabalho; sem contar que pode constituir um infraestrutura mais adequada para atendimento flexível das demandas de sistemas de computação em nuvem.

Mas como toda e qualquer tecnologia, também existem desvantagens. Uma delas é que o hardware requisitado é, de fato, mais sofisticado, pois deve ser bastante mais robusto para suportar, sem comprometimento de desempenho e disponibilidade, a consolidação de servidores. Também existe mão de obra especializada, por requer novos conhecimentos e experiência na condução das etapas de adoção de tecnologia, migração de sistemas e operação contínua. Os custos adicionais de licenças de produtos específicos é outra consideração que não pode ser esquecida.

Conclusões

A virtualização é, do ponto de vista técnico, uma alternativa muito interessante e flexível para operação de sistemas sofisticados, mas também pode ser empregada com vantagens no âmbito pessoal. Uma análise cuidadosa do cenário de sua adoção pode determinar sua conveniência e viabilidade econômica em qualquer segmento de negócio. Mas a considerar-se sua larga adoção, por companhias de todos os tamanhos e em todos os ramos de atividade, constitui a maior prova que seu uso cuidadoso permite alcançar grandes ganhos.

Para Saber Mais



sábado, 15 de agosto de 2015

Java 8 Revisitado

A versão 8 do Java não é novidade. Nem deveria ser, pois foi lançada em 2014. Mas ainda existe um razoável número de programadores Java que não explorou, de fato, algumas das melhores características desta versão. Como é bastante provável que o Java 9 seja lançado em 2016, é uma grande ideia conhecer os diferenciais do Java 8.
Java 8
Além das tradicionais melhorias gerais em muitas das APIs existentes, a versão 8 traz o maior número de novidades na plataforma desde a versão 5. Isso é muito expressivo quando consideramos que na versão 5 (de 2004) foram introduzidos os genéricos, o autoboxing, as enumerações, o for avançado, os varargs, a importação estática e também as anotações. A versão 5 do Java contribuiu definitivamente para a consolidação do Java que, entra ano, sai ano, é uma das linguagens mais utilizadas no mundo, se não a mais utilizada.

Novidades da Versão

Dentre as muitas novidades da versão 8 , existe algumas particularmente importantes:
  • Métodos default e estáticos para interfaces;
  • Expressões lambda;
  • Referências para métodos;
  • Streams e operações em massa para coleções; e
  • API DateTime.
Além destas, temos diversos melhoramentos nas anotações, na inferência de tipos, na API de concorrência,  a paralelização de operações, o engine Nashorn para JavaScript, a codificação/decodificação em Base64, entre outros aperfeiçoamentos.

Para explorarmos melhor estas características, cada novidade principal ganha um pequeno artigo próprio, onde são descritos os seus propósitos, quais são as modificações na linguagem e alguns exemplos para clarificar sua aplicação. Os artigos programados são:
Espero que estes materiais sejam úteis!

Referências

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Java - Guia do Programador - 3a. Edição

Acaba de ser lançada a 3a edição do meu livro Java - Guia do Programador!
Java - Guia do Programador - 3a. Edição

O livro, uma edição revisada e ampliada, trata o desenvolvimento de aplicações com uso da plataforma Java 8. Aborda detalhadamente os elementos da programação Java, com destaque para os conceitos de programação orientada a objetos e também aspectos da construção de software comercial.

O material é dividido em quatro partes, onde se destacam os vários tópicos voltados para as novidades do Java 8, marcados a seguir com [J8].

A primeira parte fala sobre o Java, sua origem e características, concentrando-se na estrutura e sintaxe da linguagem Java, ou seja, a organização dos programas Java, tipos de dados, variáveis, operadores, expressões, diretivas, escopo, arrays e entrada e saída. Trata também da programação orientada a objetos, abordando a definição de classes, visibilidade, instanciação de objetos, sobrecarga, herança, sobreposição, classes internas, classes anônimas, classes abstratas, polimorfismo, interfaces, interfaces funcionais [J8], referências para métodos [J8], genéricos e expressões lambda [J8].

A segunda parte mostra a construção de aplicações gráficas ou graphical user interfaces - GUI - com uso de componentes Swing, gerenciadores de layout, eventos e listeners.

Na terceira parte são tratados elementos essenciais para o possibilitar o desenvolvimento de aplicações comerciais, ou seja, discute a importante API das coleções, das streams para coleções [J8] e das operações de filter/map/reduce [J8]. Também mostra o emprego de threads na construção de programas multitarefa. O uso de arquivos e acesso a bancos de dados também está incluído.

Finalmente na quarta parte são encontradas técnicas para comunicação e troca de dados, em rede local ou internet, com uso de sockets e datagramas, na forma de aplicações cliente/servidor utilizando praticamente todos os elementos vistos nas seções anteriores.

O livro contém quase 300 exemplos completos, comentados em detalhe, muitos fragmentos de código prontos para uso, além de diagramas diversos, telas dos programas e mais de uma centena de resumos da API Java. Inclui também mais de 120 exercícios de revisão.

Desta maneira, o texto cobre o conteúdo essencial para as certificações Oracle Certified Associate (OCA) e Oracle Certified Professional (OCP) para as últimas versões do Java, ou seja, Java SE 7 e SE 8.

Mais detalhes, assim como o material de apoio, estão disponíveis no site da Novatec:
http://www.novatec.com.br/livros/javaguia3ed/

sábado, 27 de junho de 2015

Resíduos Eletro-Eletrônicos::e-Waste

Pode não parecer, mas é, de fato, interesse de todos, pois cada um de nós é um produtor potencial de resíduos eletro-eletrônicos a partir do momento que passamos a utilizar um telefone celular; ganhamos ou presenteamos um inofensivo brinquedo eletrônico; compramos um eletrodoméstico; etc. e etc. E o impacto disso é bem maior do que pode parecer!

domingo, 17 de maio de 2015

O Y da Carreira

Você sabia que existem tipos diferentes de carreiras profissionais? Carreira linear, carreira em Y e até mesmo carreira em W? Pensar e planejar a carreira são atitudes muito importantes, pois todos almejam a plena realização profissional!

Como não se pode prever o futuro, a melhor estratégia é sempre a do planejamento e da preparação antecipada. E isto também se aplica à vida profissional, pois, em geral, passamos uma parte substancial de nossas vidas no trabalho, sem contar que as realizações decorrentes de nossa ocupação tem um enorme potencial de trazer muita satisfação, influenciando a qualidade de nossas vidas. Planejamento de carreira e desenvolvimento profissional são, então, elementos importantes neste cenário.

Vale começar pela definição de carreira, palavra de origem latina (carraria) que possui diversos significados, mas todos envolvendo um movimento ou uma trajetória entre pontos. A ideia central de carreira é um percurso rumo a um objetivo profissional o qual é desejado por muitas razões diferentes, mas quase sempre associadas à necessidade que temos em nos sentir realizados, em dar sentido a nossas vidas, em suma, em sermos felizes. Por isso é comum relacionarmos a ideia de carreira as ocupações oferecidas no mercado de trabalho e também as oportunidades de progresso dentro das empresas e do mercado.

Existem muitos estudos e pesquisas que indicam que a grande motivação para o desenvolvimento profissional e para o enfrentamento dos desafios inerentes ao trabalho é o sentido de realização. Isto só é possível quando trabalhamos e fazemos aquilo que desejamos, de maneira a satisfazer nossas ambições e desejos. Ao mesmo tempo, trabalhar por obrigação, imposição ou necessidade raramente motiva ou traz tal sensação de realização. Ter uma remuneração elevada pode mascarar esta percepção, tanto que é comum a tentativa de medir sucesso pelo tamanho do contracheque. Ledo engano!

Se fosse assim, mais de 90% das pessoas do mundo seriam infelizes por não receber os maiores salários. Toda pessoa abastada seria feliz ou muito feliz. Mas na realidade, a felicidade e o sentido de realização são independentes do quanto se possui, pois são frutos da nossa necessidade de realizar, muito embora cada pessoa tenha uma visão própria e diferente do que seja isso.

Como as pessoas são diferentes, é natural esperar que nem todos persigam uma trajetória profissional padronizada. É aqui que entram os conceitos de carreira linear e carreira em Y. 

Uma carreira linear é uma sucessão de ocupações, aparentemente natural, onde no início temos aprendizes, estagiários e trainees. Estas ocupações evoluem para outras, de natureza "júnior", onde as pessoas trabalham com menor grau de independência e autonomia, geralmente sendo assistentes de outros profissionais mais experientes (ou mais graduados). Como o passar do tempo, a vivência  e o amadurecimento profissional, muitas vezes conciliado com mais educação formal, permitem galgar posições de natureza "plena". É bastante comum imaginar que, depois disso, o profissional passe a supervisionar, coordenar e gerenciar, ascendendo a posições de comando, inerentemente administrativas e de maior responsabilidade. Espera-se com isso maiores remunerações. De fato, isto pode constituir uma trajetória de sucesso.

Mas nem todos desejam ou querem tais posições de comando, a despeito dos ganhos ou da ideia de sucesso ali contida.

A carreira em y proporciona uma visão mais ampla desta questão. Após um percurso inicial de formação técnica e vivência prática, é igualmente natural e possível que, num ponto variável da vida profissional, que possamos nos direcionar às ocupações de natureza administrativa ou, em outra direção, a funções estritamente técnicas, ainda mais especializadas. A carreira em y considera que todos podem, num momento próprio da vida, escolher ocupações focadas na gestão (de pessoas, de negócios ou de projetos) ou ocupações de concentração mais técnica (onde os termos especialização, superespecialização e ultra-especialização são particularmente apropriados).

A carreira em Y não pressupõe, como na carreira linear, que todos possuem as mesmas aspirações e que no final da carreira só existem funções gerenciais. A carreira em Y compreende dois segmentos distintos de evolução profissional, que permitem a melhor adequação entre o perfil individual; os desejos e ambições pessoais; além das habilidades e competências efetivas de cada um.

Partindo então do autoconhecimento, cada um pode e deve pensar em qual trajetória é mais adequada, permitindo então o planejamento da carreira, ou seja, a busca por ocupações e desafios na direção que tem maiores chances de proporcionar sua realização como profissional e, principalmente, como pessoa.

Qualquer escolha profissional pode oferecer realização, desde que satisfaça os seus próprios anseios;. É claro que o reconhecimento só será obtido de tal escolha for desempenhada com dedicação e competência. Para isso, investir em educação é essencial.

Então, dentro de suas possibilidades (mas sempre pensando e procurando o máximo), a realização de cursos técnicos profissionalizantes, uma graduação no ensino superior e, depois, a continuação disso com cursos de especialização (lato sensu), mestrado e doutorado (estes dois últimos stricto sensu). Quanto maior o nível de educação, maior a remuneração. Além disso, existe no Brasil enorme demanda por profissionais portadores de educação superior em praticamente todas as áreas. Cursos de extensão e certificações profissionais são um ótimo complemento e proporcionam grande diferenciação profissional.

Autoconhecimento, muito estudo e dedicação. Esta é uma receita de sucesso!